A Travellerspoint blog

Camboja: estrada para Siem Reap

“Nosso povo está na pobreza porque nosso governo nos mantém na pobreza”, disse-me Chak, um dos poucos cambojanos que falavam inglês ao longo da Estrada Nacional 5 – caminho que liga Poipet (cidade que faz fronteira com a Tailândia) a Siem Reap (cidade no interior do Camboja, próxima aos templos de Angkor).

Visitar o Camboja é uma experiência desconcertante. Ao forasteiro, não há muito a fazer a não ser comover-se com uma inevitável estetização da pobreza. A miséria se torna vitrine, evidenciando as cicatrizes de um país cuja história recente se traduz em sofrimento e dominação.

As terras férteis desta planície verde, banhada pela bacia do rio Mekong, já foram morada do império Khmer (pronuncia-se ‘kmae’) – que, entre os séculos IX e XV, dominou boa parte do sudeste asiático. Mas a bem-aventurança de outrora não tardou a se esmaecer. No século XVI, o império via-se em decadência, pressionado a oeste pelos tailandeses e a leste pelos irredutíveis vietnamitas. A partir de então, invasões se tornaram rotina, e o pujante império Khmer reduzia-se a um território vulnerável e frágil. Assim se iniciou uma nova história no atual Camboja, uma era de infortúnios e decadências.

No século XIX foi a vez da França. Movida pela ganância europeia de dominação para o além-mar, a nação viu no Camboja alvo fácil para a típica exploração dos mais fracos – colonizando-os via diplomacia e roubando-lhes as poucas riquezas que ainda restavam.

Para esta terra de contradições – um povo de felicidade efusiva, não obstante a pobreza –, o século XX não foi menos inclemente. Na década de 1960 o Camboja conquistou sua independência da França. Mas, em pouco tempo, um golpe de estado seria o inicio um período sangrento – com direito a um dos maiores genocídios da história asiática.

Líderes sanguinários do Khmer Vermelho (partido pseudo-comununista que, na década de 1970, assumiu o poder via golpe) foram responsáveis pelo extermínio de pelo menos dois milhões de pessoas. Foi um dos maiores massacres de nossa história recente, em termos proporcionais – já que, de 1975 a 1979, nada menos que 25% da população do país foi executada.

Hoje o Camboja é uma monarquia constitucional. Os tempos de sangue parecem ter se acabado, mas as cicatrizes de pobreza e desilusão permanecem nas faces de cada cambojano. O mais incrível é que, mesmo sendo herdeiros de uma historia tão triste, esse povo nos emociona e encanta com seu adorável carisma! Chak, meu novo amigo khmer, não hesita em dizer: “Já nos roubaram de tudo. Mas jamais roubarão nossa alegria e nossos sorrisos.”

Posted by Henrique Kugler 16:58 Archived in Cambodia Tagged angkor reap siem Comments (0)

Bangkok: a cidade dos anjos

Difícil encontrar as palavras certas para descrever um lugar tão incrível como Bangkok. Exótica. Fascinante. Efervescente. Profunda. Moderna. Tradicional. Frenética. Educada. Certo, danem-se os adjetivos. A capital tailandesa é destino obrigatório para qualquer viajante.

Posted by Henrique Kugler 11:38 Archived in Thailand Comments (0)

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